sexta-feira, outubro 02, 2009

Lição do dia

As pessoas sempre querem ter razão. Se você quer ser querido, concorde sempre. Esta é a regra número um.
Também é importante sorrir e elogiar a roupa alheia. Ou o trabalho, ou o cabelo. Ou rir das piadas, engraçadas ou não.
Falar pelas costas não é problema. O importante é ser melhor amiga na frente.
Alguma coisa está fora da ordem, e a gente acaba cansando de nadar contra a corrente.

quinta-feira, outubro 01, 2009

I say a little prayer

Eu já usei este blog para desabafos, reclamações, revoltas, alegrias, dúvidas...enfim, eu costumo usar o blog para falar dos meus sentimentos. Eu não divulgo este endereço porque não acho que meus sentimentos interessem a muitos, mas os poucos que se interessam são bem-vindos, fico feliz em saber que alguém pára um pouco para me ouvir em mais profundidade.

Hoje vou usar o blog também para falar de um sentimento. Serei breve, porque é pouco o tempo que se precisa para dizer obrigada. Porque hoje só sinto vontade de dizer isto. Obrigada pelas pessoas que estão à minha volta, pela minha saúde, pelo meu trabalho. Obrigada pelo meu lindo amor e pelas minhas lindas conquistas. Obrigada, obrigada, obrigada! Obrigada por ter aprendido cedo a não reclamar à toda, e por aprender a cada dia a "plantar meu jardim e decorar minha alma", ao invés de pregar teorias e esquecer de sorrir.

Obrigada por saber o que é o sentimento de gratidão.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Sou mais macho que muito homem

"Pagu certamente sofria de uma tristeza intrínseca, de uma sensação de não-lugar, de não-pertencimento, de exclusão. De uma falta constante em seu coração, que a fazia buscar, cada vez mais longe, o que ela talvez nem soubesse... Quem padece dessa sensação busca o tempo todo, procura incansavelmente. Nos outros, nos livros, na solidão". - Dos Escombros de Pagu, de Tereza Freire.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Liberdade, liberdade...

Eu tinha um sonho. E eu sonhei muito. Sonhei por anos e anos.
Eu quis com todas as minhas forças e agora ele, o maior de todos os sonhos, está realizado.
Ele é lindo, aconchegante e o melhor, é meu, meu e meu!
A chave do meu apê não é só a chave do meu apê. É um passaporte... para muitos e muitos outros sonhos.
14/agosto/2009. Uma data para não esquecer.

terça-feira, julho 28, 2009

Quando eu era mais nova, minha mãe vivia me falando uma frase que eu detestava ouvir. Sempre que eu queria sair, viajar, fazer algo diferente, eu ouvia: “Não há necessidade”.
À medida que fui crescendo, e enquanto minha mãe não olhava, eu fiz praticamente tudo o que queria. Coisas sem a menor necessidade. Mas com muita vontade.
Quando eu crescer mais, tem algo que não vou deixar de ensinar para minhas filhas.
Eu quero que elas saibam que, algumas coisas, embora sem necessidade, também não há problema nenhum em se fazer. O ponto é outro: são coisas que, simplesmente, não valem a pena.

sexta-feira, julho 24, 2009

Que a vida é feita de ciclos, todo mundo sabe.
Um dia se está no topo. No outro nos sentimos derrotados.
O curioso é percebermos que não temos o menor controle sobre o ciclo em que se está.
Muitas vezes, realizados com o que temos, com tudo aquilo que conquistamos, um vazio nos toma e diz que este tudo não vale nada.
Outras vezes, ao chegarmos ao fundo do poço, somos tomados por uma sensação leve, uma brisa, que nos faz pensar que tudo está bem.
Talvez seja a leveza de não se sentir responsável. Como uma criança, não temos metas nem objetivos. Apenas o nada. E, como crianças, podemos planejar, sonhar, almejar, desejar, sem a preocupação de conquistar ou não. Apenas querer…
Às vezes eu quero tanto… às vezes eu só quero não querer.

quinta-feira, julho 23, 2009

segunda-feira, julho 20, 2009

Segunda-feira

Os astros alertam: mantenha-se afastada de pessoas. Ou melhor: de qualquer coisa que se mova.

terça-feira, março 17, 2009

Caminhos tortos

Quantas vezes uma mentira precisa ser contada para virar verdade? Para quem trabalha com relações públicas, a resposta pode ser diferente da resposta de uma mãe. Há quem diga que a verdade está acima de tudo. Há aqueles que dividem a mentira entre branca e preta.
Uma vida sem mentira seria insuportável: Não, você não está bonita. Sim, você engordou mesmo. Seu trabalho não é bom, desculpe, mas você não tem capacidade.
Uma vida sem verdade seria insuportável. Como posso viver sem dizer o que sinto? Como posso viver sem saber o que você sente?
Há algum tempo, diria que a mentira é a pior atitude. A única imperdoável. A mais grave.
Hoje, pior do que a mentira, é a incapacidade de separar a mentira da verdade. As mentiras contadas mil vezes. Aquelas que, quem conta, já não sabe mais o que é. Aquela que faz com que você questione as verdades maiores, as suas verdades, e quase te convence a viver fingindo acreditar.



segunda-feira, dezembro 29, 2008

Brinde

Que venha 2009, e venha em sua plenitude.
Que venham todos os anos novos, e venham por inteiro.
Que por inteiro sejamos em todos eles.
E por inteiro vivamos alegrias e frustrações.
Com frustrações vividas, sentidas, interiorizadas,busquemos mais forças para conquistar uma alegria a mais
Alegria saborosa. Alegria rica. Prazer intenso.
Já não importa se fugaz ou eterno.
O que é o tempo?
Já se foi 2008.
Que venha 2009.

segunda-feira, novembro 24, 2008




É dor.
É tormento.
É falta e saudade, mas muito mais.
P
rá baixo do tapete a sujeira vai.
Será limpa um dia? Ou crescerá?
Penso em cultivá-la.
Em alimenta-lá.
Sinto que posso distribuí-la.
Algo ao mundo hei de doar.
Minha fonte inesgotável.
Inesgotável.
Esgotada.
Esgoto.

segunda-feira, julho 14, 2008

Lessons Learned

Lição de casa, prá ontem:
Tente!
O pior que vai acontecer é você não conseguir. Pelo menos, não levará consigo a culpa de não ter tentado.

:(

segunda-feira, maio 12, 2008

Festa no outro apartamento

Um vulcão. Um furacão.
Um terremoto.
Sempre querendo seu outra. Sempre querendo ser mais.
Sorrindo por dentro, gargalhando.
Esperando acontecimentos. Prá sempre?

Eu espero... acontecimentos.
Só que, quando anoitece, é festa no outro apartamento.
Todo amor, vale o quanto brilha.
E o meu brilhava, e brilha de jóia e de fantasia.
E o que que há com nós dois, amor?

...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Lei da oferta e da procura

A vida é como o mercado... para cada um, há um nicho. Respeite seu espaço, e você sempre será bem sucedido. Encontre sua especialidade... busque a sua realização... olhe menos para o lado. "Se você não pode ser o primeiro em sua categoria, crie uma categoria em que você possa ser o primeiro"...

terça-feira, julho 10, 2007

"Ideas are like metaphors. They are everywhere. Every issue of every newspaper, every casual conversation, every postcard, every commute to work, every cup of coffee is packed with ideas. Even if you've never written a word, you already have thousands of ideas bouncing around inside your skull. The trick is to figure out how to turn those ideas into a story. That's the hard part. And the fun part".

Pete Hautman

terça-feira, março 20, 2007

Uma música para o dia de hoje...

Put your records on

Three little birds, sat on my window
And they told me I don't need to worry.
Summer came like cinnamon ,so sweet,
Little girls double-dutch on the concrete.

Maybe sometimes,We’ve got it wrong, but it's alright.
The more things seem to change,the more they stay the same.
Oh, don't you hesitate.

Girl, put your records on,
tell me your favorite song.
You go ahead, let your hair down.
Sapphire and faded jeans,
I hope you get your dreams.
Just go ahead, let your hair down.
You're gonna find yourself somewhere, somehow.

Blue as the sky,sunburnt and lonely.
Sipping tea in the bar by the road side.
(just relax, just relax)
Don't you let those other boys fool you.
Gotta love that afro hairdo.

Maybe sometimes,we feel afraid, but it's alright.
The more you stay the same,the more they seem to change.
Don't you think it's strange?

Girl, put your records on,tell me your favorite song.
You go ahead, let your hair down.
Sapphire and faded jeans,I hope you get your dreams.
Just go ahead, let your hair down.
You're gonna find yourself somewhere, somehow.

Just more than I could take,pity for pity's sake.
Some nights kept me awake,I thought that I was stronger.
When you gonna realize,that you don't even have to try any longer?
Do what you want to.

Girl, put your records on,tell me your favorite song.
You go ahead, let your hair down.(go let your hair down)
Sapphire and faded jeans,
I hope you get your dreams.(hope get your dreams)
Just go ahead, let your hair down. (Baby, let your hair down)

Girl, put your records on,tell me your favorite song.
You go ahead, let your hair down.
Sapphire and faded jeans, (Sapphire and faded jeans)
I hope you get your dreams.
Just go ahead, let your hair down.
Oh, You're gonna find yourself somewhere, somehow

Corinne Bailey Rae

quinta-feira, março 08, 2007

Farsas solitárias

Eu queria escrever um texto sobre o Dia Internacional da Mulher. E não ia ser um texto sobre a mudança do papel da mulher na sociedade, nem sobre o fato de ganharmos menos do que os homens, e eu também não falaria sobre o tão importante tema da violência contra a mulher.

Porque estes fatos, e estes dados, me soam tão distantes que mal posso opinar. Porque eu fui criada por duas mulheres 40 anos mais velhas do que eu, que sempre trabalharam. Porque meu pai morreu quando eu tinha 5 anos e mal deixou lembranças. Porque eu tenho um irmão sete anos mais velho que hoje, quando telefono prá ele em plena terça-feira à tarde, está em casa dando frutinha para seu filho, pois sua mulher está fora, trabalhando e estudando.

E foi um choque para mim sair no mundo, e descobri que as mulheres que acreditam que devam servir e agradar o homem não são lenda. Assim como não o são aquelas que querem ter um emprego só para se ocupar, mas que acham que as contas da casa são obrigação dele.

Eu queria escrever um texto sobre o ser-humano que somos, que nasce e tem que decidir prá onde vai e o que vai fazer, e pode ir ou ficar independentemente de ser homem ou mulher. E pode ser delicado ou grosseiro, e ter um amante do sexo oposto ou não, e pode tantas outras coisas.
Mas quando eu me vi atrasada para o trabalho (de novo), e tão distante de tudo que a minha suposta ausência de limitação me prometeu, e quando bati o pneu na guia e vi aquela calota rodar prá tão longe, eu esqueci sobre o que ia escrever e pensei: “Que bom que eu não estou sozinha”.

quarta-feira, março 07, 2007

Assim não é, preste atenção

Baudrillard disse que a realidade já não existe e vivemos um permanente e conspiratório espetáculo de mídia. É verdade, porém o espetáculo já escapou aos palcos. Vivemos em uma daquelas peças interativas, em que não se sabe quem é ator e quem é platéia. Somos seres e personagens, atuando em nossa própria farsa.

segunda-feira, março 05, 2007

Alívio para as segundas-feiras

"... a vida é mesmo coisa muito frágil
Uma bobagem uma irrelevância
Diante da eternidade do amor de quem se ama..."


Por onde andei, Nando Reis

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Realidade

Na vida a gente realiza algumas coisas, e outras não... e há aquelas que a gente nem percebe que realizou. Mas a gente não deixa de ser quem é só porque não realizou tudo... a gente é quem é, independentemente de qualquer coisa. =)

Loucura 10 X Normalidade 0

Eu me lembro do comecinho da faculdade de jornalismo, um dos primeiros dias de aula, quando um dos futuros profissionais mais “engajados” da classe (daqueles que têm devoção por Chico, são de esquerda, fumam maconha e odeiam assessoria de imprensa), começou a cantalorar o que, segundo ele, seria a música da nossa formatura: “Se eu sou muito louco, por eu sei assim, mais louco é quem me diz, e não é feliz, não é feliz...”

Naquele momento, início de 1999, todos com seus 17, 18, 19 anos, a Balada do Louco, dos Mutantes, parecia resumir tudo o que éramos e que seríamos, e ser louco era sinônimo de tantas outras coisas como ser engajado, ser culto, ser inteligente... ser jovem idealista e ser jornalista.

Naquela época, a atitude determinada de quem já sabia qual música deveria ser tocada dentro de quatro anos, como quem sabe o que será, pois não anseia a mudança e a evolução, já me pareceu um tanto arrogante.

Ao longo dos quatro anos, a pretensão de 160 adolescentes que queriam se destacar sendo mais loucos dos que os outros se tornou mais e mais insuportável, e ser normal passou a ser um prazer e um objetivo.

Oito anos se passaram... a loucura deu lugar à normalidade e a normalidade à loucura, e hoje, sem perceber ou fazer qualquer relação com o passado, percebi que a música que me define em meu perfil do orkut é a Balada do Louco...

E aos 26 anos, indo para o meu emprego em assessoria de imprensa de uma agência de publicidade, ouvia Raul Seixas no carro quando percebi que só quer ser louco quem é muito normal, assim como não há um normal que não tenha um tanto de loucura dentro de si...

“...Vai pro seu trabalho todo dia
Sem saber se é bom ou se é ruim
Quando quer chorar vai ao banheiro
Pedro as coisas não são bem assim...

Toda vez que eu sinto o paraíso
Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno...

Tente me ensinar das tuas coisas
Que a vida é séria, e a guerra é dura
Mas se não puder, cale essa boca, Pedro
E deixa eu viver minha loucura...

Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
Quando os dois pensavam sobre o mundo
Hoje eu te chamo de careta, Pedro
E você me chama vagabundo...

Todos os caminhos são iguais
O que leva à glória ou à perdição
Há tantos caminhos tantas portas
Mas somente um tem coração...

E eu não tenho nada a te dizer
Mas não me critique como eu sou
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou”

Raul Seixas, Meu Amigo Pedro

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Porque moro dentro de mim...

Quando criança, eu sempre planejei quem eu seria aos 15... aos 19 anos. No fundo, eram apenas protótipos de quem eu seria aos 25... 26. Eu imaginava a calça branca de pernas soltas e tecido leve, e a blusa de cor mostarda que mostrava levemente minha cintura, e os cabelos longos um tom mais claro do que o natural, e tudo isso representava mobilidade, leveza.
Eu sabia exatamente como seria meu apartamento, pois ele realmente existia em minha mente, e ele teria uma decoração moderna e leve, e na geladeira sempre haveria um suco gelado, e no quarto uma escrivaninha e na sala uma varanda onde eu poderia fumar um cigarro sem ser incomodada.

Pois bem, fizemos o protótipo, revisamos o esboço, já estamos na terceira ou quarta versão e o apartamento ainda não existe, a cintura não é tão fina e nem o cabelo tão longo... e às vezes me pergunto se há tanta leveza na vida quanto se imaginou... mas não tenho dúvidas de que aquela menina continua ali... na varanda, fumando seu cigarro... e imaginando como será aos 30... 35.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Linda saia


A leveza da saia rodada, erguida, girando.
Os cabelos presos que se soltam aos poucos...
Quanto de mim há em você?
Tão diferentes e tão parecidas ao mesmo tempo.
Se me vejo em ti, também te ajudo a ser por inteiro.

É o que eu sempre digo

De perto ninguém é normal.

Melhor viver a sua loucura, do que a loucura dos outros...

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

25 anos, 364 dias...

Erga sua cabeça, faça seu trabalho, viva sua vida da melhor maneira possível, e simplesmente esqueça o resto...

Ah, e não se esqueça de agradecer não somente por tudo que lhe foi dado até agora, mas principalmente por aquilo que você já conquistou.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Outra do Analista de Bagé

Existem muitas histórias sobre o analista de Bagé mas não sei se todas são verdadeiras.
Seus métodos são certamente pouco ortodoxos, embora ele mesmo se descreva como "freudiano barbaridade".
E parece que dão certo, pois sua clientela aumenta.
Foi ele que desenvolveu a terapia do joelhaço.
Diz que quando recebe um paciente novo no seu consultório a primeira coisa que o analista de Bagé faz é lhe dar um joelhaço.
Em paciente homem, claro, pois em mulher, segundo ele, "só se bate pra descarregá energia". Depois do joelhaço o paciente é levado, dobrado ao meio, para o divã coberto com um pelego.
- Te abanca, índio velho, que tá incluído no preço.
- Ai - diz o paciente.
- Toma um mate?
- Na-não... - geme o paciente.
- Respira fundo, tchê. Enche o bucho que passa.
O paciente respira fundo.
O analista de Bagé pergunta:
- Agora, qual é o causo?
- É depressão, doutor.
O analista de Bagé tira uma palha de trás da orelha e começa a enrolar um cigarro.
- Tô te ouvindo - diz.
- É uma coisa existencial, entende?
- Continua, no más.
- Começo a pensar, assim, na finitude humana em contraste com o infinito cósmico...
- Mas tu é mais complicado que receita de creme Assis Brasil.
- E então tenho consciência do vazio da existência, da desesperança inerente à condição humana. E isso me angustia.
- Pois vamos dar um jeito nisso agorita - diz o analista de Bagé, com uma baforada.
- O senhor vai curar a minha angústia?
- Não, vou mudar o mundo. Cortar o mal pela mandioca.
- Mudar o mundo?
- Dou uns telefonemas aí e mudo a condição humana.
- Mas... Isso é impossível!
- Ainda bem que tu reconhece, animal!
- Entendi. O senhor quer dizer que é bobagem se angustiar com o inevitável.
- Bobagem é espirrá na farofa. Isso é burrice e da gorda.
- Mas acontece que eu me angustio. Me dá um aperto na garganta...
- Escuta aqui, tchê. Tu te alimenta bem?
- Me alimento.
- Tem casa com galpão?
- Bem... Apartamento.
- Não é veado?
- Não.
- Tá com os carnê em dia?
- Estou.
- Então, ó bagual. Te preocupa com a defesa do Guarani e larga o infinito.
- O Freud não me diria isso.
- O que o Freud diria tu não ia entender mesmo. Ou tu sabe alemão?
- Não.
- Então te fecha. E olha os pés no meu pelego.
- Só sei que estou deprimido e isso é terrível. É pior do que tudo.
Aí o analista de Bagé chega a sua cadeira para perto do divã e pergunta:
- É pior que joelhaço?

Luis Fernando Veríssimo, inicio da década de 80.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Tudo é possível


Felicidade é ter a possibilidade de mudar...
"...o medo é do Deus ou do demo?
É ordem ou é confusão?
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara, medo de encarar
Medo de calar a boca, medo de escutar
Medo de passar a perna, medo de cair
Medo de fazer de conta, medo de dormir
Medo de se arrepender, medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá"
Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Plante seu jardim...


As palavras certas, quando ditas pelas pessoas erradas, tornam-se vazias.
Quando ditas pelas pessoas certas, porém, ganham o dobro de significado.
Eu sempre gostei deste texto, mas agora ele falou ainda mais alto para mim...


"Depois de algum tempo você aprende a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar a alma.
Aprende q amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança.
Que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas de cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as sua estradas no hoje, porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Aprende que sol queima se ficar exposto por muito tempo e que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam.
Aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo às vezes e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar as dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança e segundos para destruí-la.
Que você pode fazer coisas em um instante que se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
Que o importante não é o que você tem, mas quem você tem na vida.
Aprende que não temos que mudar de amigos se aceitarmos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que a vejamos.
Aprende que as circunstâncias e a os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos os responsáveis por nós mesmos.
Não se deve comparar com os outros , mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que você controla os seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexivel não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa o quão delicada seja a situação, sempre existem dois lados.
Aprende que paciência requer prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a se levantar.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e do que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Que há mais dos seus pais em você do q você suponha.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar, mas não de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito q você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado, você tem que aprender a perdoar-se.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coraçao foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Que o tempo não é algo que possa voltar pra trás.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores!"

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Prece

"Eu não quero tudo de uma vez não,
Eu só tenho um simples desejo...
Hoje eu só quero que o dia termine bem".

= )

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Noia 2

Criar fantasmas é como criar um cachorrinho...
Se você quer ter, tem que ter saco prá cuidar...

terça-feira, janeiro 30, 2007

A busca

O que você está procurando?

"Eles olharam a roda gigante,

e de longe ela não parecia estar girando.
Mas era provável que estivesse sim."
Nick Hornby

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Dos nossos males

A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...

Mário Quintana

E a gente nem cobra ingresso...

O que a gente começa a reparar é que tem gente que assiste, e tem aqueles que atuam.
É claro que no fundo todos vieram com vocação para serem atores da própria vida, personagens principais da própria história, viemos para dominar nosso próprio palco e fazer da nossa aventura imperdível para nós mesmos.
Mas a aventura, sinto dizer, é imperdível somente para nós mesmos, e não há graça que se compare a de viver intensamente.
Olhar para os outros é aprender, assimilar possibilidades, guiar-se por exemplos. Digerir, repensar, interpretar, e depois fazer tudo diferente, mesmo que seja exatamente igual.
Incomodam os olhares, as expressões faciais que fingem não serem reações. Incomodam os sorrisos de canto de quem não quer opinar,mais do que as opiniões abertas e claras.
Um dia, a gente cansa de se justificar, e decide apenas viver.
E entende porque há alguns que riem tanto.
É tão mais fácil...

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Assim é, se lhe parece...


"Ciranda da Bailarina"

Procurando bem todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem

E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem

Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida

Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem

Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem?

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina

Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem

Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina

Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem

Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem

Procurando bem
Todo mundo tem


Edu Lobo / Chico Buarque

terça-feira, dezembro 19, 2006

Natal...


Este ano a sensação de fim de ano chegou mais cedo para mim. Em meados de outubro, o balanço de fim de ano já tinha sido concluído, com a devida sensação de rebarbas a aparar, e de tudo que precisava ser resolvido para que um novo ciclo pudesse se iniciar em terreno limpo e fértil.

Em novembro, tudo parecia caminhar bem, até que em dezembro algo saiu do trilho e tudo o que poderia dar errado deu, tudo que parecia caminhar para uma realização virou frustração, tudo o que já estava definido se indefiniu inesperadamente e as reações e atitudes foram as menos aguardadas, com os respectivos questionamentos respondidos das maneiras mais inacreditáveis, e a tristeza chegou para ocupar seu lugar quando só esperava estar triste novamente lá para junho do ano que viria...

Talvez por tudo isso, a leve melancolia natalina, que nunca precisou ser triste, tomou uma proporção de questionamento muito maior. A árvore do Ibirapuera, as canções natalinas em inglês, o enfeite gigante do Shopping Iguatemi, as cores do Banco Real, iluminaram a sensação de vazio diante de tanta miséria, de tanta fome, de tanta falta de oportunidade.

E por vezes tive vontade de ser uma criança de rua, só para poder destruir tudo durante a noite, e tirar de perto de mim a visão da falsidade ideológica que tomou conta de uma festa que deveria ser de amizade e colaboração.

Quem foi que permitiu que a data de nascimento do maior messias que já existiu virasse pretexto para movimentar o comércio, por que permitir que vermelho da Coca-Cola se espalhasse pelas ruas de um país como o Brasil, onde a seca mata milhares de pessoas de sede, onde está a igreja que não diz ao povo que esta é a maior mentira em que se pode acreditar... e não questiona o ridículo do ser-humano?

Eu não tenho vontade de comprar presentes de Natal... eu queria dar a todos que amo um trecho da Bíblia, que falasse sobre igualdade e sobre fraternidade, e que falasse sobre simplicidade e humildade.


E que mostrasse, sobretudo, a imagem de um presépio, provando que, quando de onde deveria vir acolhimento, surge somente incompreensão, arrogância, pretensão e injustiça, é de onde menos se espera que surge carinho e aquele abraço, aquele sorriso e aquela palavra que a gente simplesmente morreria se não pudesse sentir...

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Memórias de vida High-Tech

O que move as pessoas a colecionar fatos, vídeos, momentos, experiências, objetos sem importância, vidas e histórias de outras pessoas?
Validação, sensibilidade, vaidade, auto-estima, vontade de superar a mortalidade?
Na era em que o intangível supera o tangível, este é o lugar certo na história para colecionar, guardar e registrar experiências de vida.
As possibilidades incluem blogs - registro online de pensamentos e situações, que podem incluir álbum fotográfico, musical ou melhor ainda, vídeos - pura vida em movimento. ... Diferentemente do passado, estes momentos de vida não são mais guardados em uma linda caixa no fundo do armário, mas compartilhados com a própria solidão, com a família, amigos reais e virtuais internet afora...


Beth Furtado
Às vezes é tão duro não ter com quem contar...

sábado, dezembro 09, 2006

Do porquê de observar

Agora que já me achei em ti
Já não preciso mais olhá-la
Obrigada por me entregar o espelho
Com o qual enxerguei mais fundo minha alma.

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Jardim interior

Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por ele passa indiferente.

Mário Quintana

quinta-feira, dezembro 07, 2006

"Saber viver" é a arte de levar desaforos prá casa.

Os degraus

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos – onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!

E é um sonho louco este nosso mundo...

Mario Quintana

terça-feira, dezembro 05, 2006

Agradecimento

Quando os anjinhos dizem amém, a gente só tem que agradecer por tudo o que já conquistou.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Mantenha o respeito

Para a incompreensão, há somente o silêncio.
Não o silêncio que isola, o silêncio da solidão.
O silêncio da segurança e da tranqüilidade.
O silêncio de quem aprendeu a ouvir o que os outros pensam, mas não a se guiar por isso.
O silêncio de quem desistiu de esperar por reconhecimento, mas não de sentir orgulho de quem se é.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Acontecimentos

Eu espero acontecimentos
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento

Todo amor
Vale o quanto brilha
E o meu brilhava
E brilha de jóia e de fantasia

O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim

Era fácil
Nem dá prá esquecer
E eu nem sabia
Como era feliz de ter você

Como pode
Queimar nosso filme
Um longe do outro
Morrendo de tédio e de ciúmes

O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim

(Marina Lima/ Antonio Cícero)

terça-feira, novembro 21, 2006

Somos todos chatos

De perto ninguém é normal... Cada louco com sua mania... Ventania insiste em dizer que raros são os loucos, mas a verdade é que raro é encontrar alguém que não tenha sua idiossincrasia chata, se não raro impossível.

Terapia devia ser matéria na escola, e para andar na rua devia ser necessária carteirinha de bem resolvido. Seria da natureza do ser-humano a tentativa constante de auto-afirmação? Ou seria mais um fenômeno da sociedade sufocante em que tudo é competição?

A convivência é difícil, mas olhar para a beleza é um exercício que não pode ser substituído pela visão das chatices que insistem em saltar aos olhos.

Olho para mim e vejo minhas limitações, olho para o outro e vejo que ninguém é perfeito, embora tentemos o tempo todo nos provar que sim.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Nóia

Crie seus fantasmas, e eles lhe perseguirão de verdade.
Imagine o belo, e aproveite um instante de tranqüilidade.

terça-feira, novembro 14, 2006

Saber e entender

Na escola, ouvimos repetidas vezes que precisamos “entender” a matéria, ao invés de decorar. E, quando alunos esforçados, passamos dias sobre páginas de história e geografia e exercícios de matemática. Inocentes, acreditamos entendê-las.

Inexperientes, não percebemos que estamos exercitando o acumulo de conhecimento como exercitamos o acumulo de bens materiais e dinheiro. E crescemos acreditando que aprendemos algo.

Um dia parece que tudo começa a fazer um pouco mais de sentido. E, pela primeira vez, notamos que o conhecimento adquirido não é o mesmo que aquele que pode ser compreendido.

É como se não tivéssemos visto nenhum filme até hoje. Como recém alfabetizados, lemos as revistas pela primeira vez.

Ler o mesmo livro duas vezes nunca é uma repetição.

O livro ainda é o mesmo. Mas nós já não somos mais.


Pensar o mesmo texto duas vezes é impossível. Aquela que era pela manhã já não o é mais às 12h25.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Metrópole

A gente tende a pensar, a ouvir e a dizer, que o que falta no mundo de hoje é confiança. Vários fatores, como a violência e a ambição, fazem a gente ter medo do outro, desconfiar. Parece que as pessoas andam com o pé atrás, com medo de se mostrar, de ser sinceras sobre quem são e sobre o que sentem, sobre o que pensam e o que pretendem.

Esta insegurança faz a gente ficar mais fechado, mais falso e mais superficial também. Porque quando não dá para falar a verdade, e quando a gente não gosta de mentir, acaba falando de futilidades. Acaba colocando coisas menos importantes na pauta da conversa para evitar se abrir e contar coisas que não sabemos de que forma serão utilizadas.

A banalização de tudo banalizou a confiança também, e os conceitos de amizade, de coleguismo e parceria vão se diluindo. A sua vida é banal para o seu amigo, e a vitória do outro é banal para você.


Valorizar quem está ao seu lado virou um ato de submissão quando o que se precisa é mostrar como se é melhor, mais importante e mais sofredor. Sofrer virou motivo de orgulho e eu já não entendo mais nada.

quinta-feira, novembro 09, 2006

05/10/04

O funk carioca desceu o morro e agora, em uma nova fase, virou fashion. Com ele chegou ao asfalto a alegria daqueles que sempre rebolaram em frente à televisão, frustrados por saberem que não seriam bem-vindos aos bailes funk. Desceu também a revolta de muitos que vêem as letras como alusão e incentivo à violência, ao sexo inconseqüente e à exploração da mulher. Sabemos que boa parte das letras trata de sexo, mas eu não saberia dizer se trata-se da maioria ou não. Independentemente disso, me incomoda menos o fato de haver letras consideradas “pornográficas” do que saber que existe um comportamento generalizado de valorização do corpo em detrimento da cultura, a famosa embalagem no lugar do conteúdo. E este comportamento não prevalece apenas entre os pobres, os miseráveis, mas muito mais entre as classes média e rica, que lotam clínicas de estética e de cirurgia plástica, em busca da beleza comprada, fácil e cara. Não me incomoda, no entanto, pensar que, em forma de música e dança, as mais acessíveis expressões populares, os moradores do morro carioca conseguiram mostrar à classe média e agora, ao poucos, ao mundo, a realidade de seus jovens, de seus homens e de suas meninas. Me incomoda profundamente pensar que meninas estão sendo exploradas sexualmente e ensinadas (por seus pais, mães, padrastos, amigos, pela TV, pelas novelas, pela “Malhação”, pelo cinema norte-americano etc) que seu papel é ser uma serviçal do sexo proporcionando satisfação aos homens. Mas me agrada a idéia de que as mulheres estão virando o jogo, em figuras surpreendentes como a de Tati Quebra-Barraco. Ao nossos olhos desacostumados à sinceridade o fato gera desconforto e um convite à revolta. Outro ponto. Há muitas músicas que não se referem ao sexo. Me parece muito interessante ouvir letras como “É som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado”; ou “Eu só quero é ser feliz, andar tranqüilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar, e ter a consciência que o pobre tem seu lugar.” Aí sim eu vejo o verdadeiro papel do funk, dizendo que existe uma voz, um discurso, convertendo-se em música e festa. E que esta voz pode começar a ecoar no morro, e descer para o asfalto, e chegar à Vila Olímpia e em outros cantos do mundo. E essa voz pode chegar em forma de bem de consumo, assim como todos os sons e músicas que estamos ouvindo. Porque mercantilizamos tudo em nossa sociedade capitalista, mas quando o pobre começa a se dar bem neste meio, nos sentimos incomodados, sentimos nosso mercado e nossos espaços nas prateleiras ameaçados, e queremos que eles fiquem quietos nos morros sem ocupar “nosso” espaço nas lojas. Há ainda as letras vazias, aquelas que servem apenas para brincar, fazer festa e extravasar, como uma que diz algo como “acende o celular” etc e tal. Podemos dizer o que for, mas só quem nunca pulou marchinhas de carnaval sem o menor nexo poderá atirar a primeira pedra. Com relação a qualidade da música, não posso nem me arriscar a opinar porque sou uma ignorante musical assumida. Prefiro ficar quieta, pois entendo apenas de dançar, dar risada e me divertir.

As cores da vida

21/06/04

Faz um tempo que estou querendo falar sobre preconceito de uma forma mais longa, porque este é um assunto sobre o qual eu penso sempre e repetidamente e que me incomoda muito. Me incomoda não apenas porque eu sinta uma carga considerável de preconceito contra mim mas também porque sinto que eu já fui muito preconceituosa e que isso limitou muito minha vida até pouco tempo. Eventualmente eu até falo alguma coisa sobre o assunto mas não vou muito longe porque não quero tomar o tempo de quem está me ouvindo em momentos que geralmente são de descontração, fora que eu tô ligada que muitas vezes meus comentários parecem de caráter pessoal e sobre alguma atitude específica do meu interlocutor, e o medo de parecer agressiva acaba me fazendo ficar quieta.
Bom, vamos ao assunto: eu odeio preconceito. De todos os defeitos que uma pessoa pode ter tenho quase certeza que o preconceito é o pior. Porque o preconceituoso parte do princípio de que ele é superior, de que suas escolhas e suas preferências são superiores do que as dos outros, e de que os outros ainda não atingiram sua capacidade de avaliação das coisas, das músicas, das roupas, e não fazem escolhas tão apropriadas.
Eu não estou falando de preconceito de raça, de cor, de credo. Estes são os piores, certamente, mas sobre estes muito já se falou e já se tornou inclusive ultrapassado falar, pois se tornou ultrapassado ter este tipo de preconceito.
Mas muitos que se julgam abertos a conviver com pessoas de cor diferente da sua ou com uma atitude sexual diferente não percebem os pequenos preconceitos que repetidamente deixam sua vida menos completa.
É isso mesmo. O preconceito faz com que sejamos menos completos. Eu explico: se eu gosto da cor azul porque acho que o azul é a cor mais bonita, a mais chique, a mais sofisticada, até aí nenhum problema. Todos, ou muitos, tem preferência por uma cor. Mas se me recuso a olhar para o preto, porque o considero sem graça, depressivo, feito, dou uma cor a menos a minha vida. Isso vale prá tudo: artes em geral (música, literatura, cinema), moda, baladas, profissão, sexualidade. Vamos vestir todas as cores da vida!!! Ou ao menos conhecê-las, conversar com alguém que as veste. Vamos conhecer uma balada completamente diferente, falar com alguém que trabalha em uma área totalmente diferente da nossa, rir de nossas próprias preferências. Cuidado: o preconceito está enraizado em cada um de nós, e ser preconceituoso não é uma agressão contra o outro. É uma agressão contra nós mesmos. Preconceito é uma atitude limitadora que nos impede de conhecer todas as cores da vida.

quarta-feira, novembro 08, 2006

A Vida

"A vida são deveres que nós trouxemos para fazer em casa...
Quando se vê, já são seis horas !
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos !
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas...
Dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo.
A única falta que terá, será desse tempo que infelizmente... não voltará mais."

Mario Quintana

terça-feira, outubro 31, 2006

Balança

Já falei aqui que concordo com a idéia de que a vida é um grande vazio preenchível. Como completá-lo é a nossa grande questão. Avaliar o que vale a pena entrar em nossos dias, e o que merece ser simplesmente descartado, ignorado, é como um jogo, quase uma brincadeira.

Há algumas escolhas na vida que são de fato decisivas, definitivas, mas a verdade é que a vida é feita de muitas outras escolhas que são pequeninas, e parecem que não vão nos influenciar em nada.

São pequenas decisões que tomamos o dia inteiro, e que aparentemente são inofensivas, e que de fato realmente o são. Mas que, juntas, fazem a nossa vida ser o que é e não algo diferente, fazem com que no final de tantas pequenas opções tenhamos chegado neste lugar e não naquele.

E quando percebemos isso, percebemos também porque se deve dar importância às pequenas coisas, às pequenas atividades diárias, ao invés de simplesmente pensar que, por serem pequenas e simples, elas não merecem nossa atenção.

Compensação

É um exercício de persistência e paciência dedicar-se a estas pequenas coisas. Pois o impulso é de evitá-las, pular as etapas chatas e compensar a existência delas com atividades mais prazerosas.

O Eduardo Gianetti, em suas palestras baseadas no livro “Felicidade’”, diz que a realização profissional é fundamental e que, na ausência dela, acabamos partindo para compensações. A gente pode tentar compensar a insatisfação no trabalho fazendo compras, por exemplo.

Na verdade a gente tende a fazer isso em vários aspectos da vida, creio eu, e não somente no profissional. Problemas no relacionamento podem nos levar a compensar a frustração com comida... a ausência do pai pode nos levar a fumar... e assim por diante. A psicologia deve ter uma explicação bem consolidada para isso e eu não a conheço, mas espero poder um dia entender isso melhor.

As questões são: até que ponto o prazer da compensação nos fará felizes? O quanto de coisinhas chatas somos capazes de suportar? Dá prá acreditar que é possível sentir-se realizado sem buscar por estes prazeres mais acessíveis? Por que algumas pessoas parecem ser felizes com o que tem, sem necessidade de procurar por estas compensações?

segunda-feira, outubro 30, 2006

Espelho

"Um dia, enquanto esperava seu cabeleireiro se desocupar, folheava as revista à procura de alguma idéia para mais uma nova mudança.
Encontrou.
Ficou durante um tempo contemplando.
A mulher da fotografia, os cabelos brilhantes na paisagem sem sol da Escócia, olhava distante a relva verde: parecia que o mundo todo estava correto ali.
Não era o cabelo.
O que queria mesmo era estar naquele lugar, com aquele olhar, com aquela roupa.
Queria ser aquela mulher.
Mas percebeu que jamais seria.
Simplesmente porque ela era ela. E porque aquela mulher não existia.
Não era melancolia nem tristeza. Era o desejo de ser ela mesma.
Percebeu que só se encontrava no olhar dos outros.
E que estava, banalmente, condenada a ser ela mesma, a se inventar, espreitando as imagens de outras, que eram irremediavelmente outras".

Vânia Reis, psicoterapeuta. TPM, outubro de 2006.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Eu não sou o MÁ-XI-MO??

Deslumbramento. Falta de humildade.
O que lhe falta é olhar ao redor.

Mas não olhe somente prá tão perto.
Procure olhar além, veja onde você vive, vizualisse seu mundo, seu país.
Perceba quem é a sua sociedade.
Se você não os enxerga, não poderá me enxergar também.

Por que você não pára por um instante, e olha para quem está ao seu lado?
Por que você não procura enxergar o óbvio, e vê que há espaço para todos?
Pare, pense.
A felicidade do outro não inviabiliza a sua.
O que eu tenho a aprender com você?
Pare. Olhe. Aprenda algo comigo. E eu sei tão pouco...

quarta-feira, outubro 18, 2006

Ponha seu preço

Ponha seu preço.
Atribua seu valor.
Quando você se valoriza, tem sempre alguém ali, para te desvalorizar.
Quando você não se valoriza... é porque você não se valoriza.
Tem sempre alguém que precisa brilhar.
Tem sempre que ter um peão fosco.
Tem gente que não tem a grandeza de perceber o tamanho do céu.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Vazio e cheio

E a gente se dedica tanto a tantas coisas, quando no fundo são tão poucas as que realmente importam.

Há um intervalo tão grande entre uma e outra...

Desconfio que este intervalo seja a vida.

Pena que, na ânsia de preenchê-la, acabamos esquecendo de viver.

quarta-feira, outubro 11, 2006

24/novembro/2004

"... Eu desejo alguém que saiba aproveitar cada segundo de felicidade, e que pense no presente muito mais que no futuro. Eu quero alguém que me tire o fôlego, e me faça rir, e ria de mim sem me intimidar, e que me faça gargalhar quando me leva a sério, e eu desejo que haja muita diversão em nossa vida... Quem eu quero precisa de mim, e sua vida nunca mais será a mesma depois de me encontrar, e me amará tanto quanto a si mesmo, e será capaz de mudar tudo por mim, mas não mudará nada, sabendo que eu não desejo a mudança, e sim a complexidade de ser dois, e ser um só..."

terça-feira, outubro 10, 2006

Os dois lados

A vida é mesmo feita de escolhas.
Não, não se pode ter tudo.
Sim, eu queria ser duas.

sábado, outubro 07, 2006

Viva a diferença!

A sociedade da comparação vive de nos fazer sentir inferiores simplesmente porque não somos iguais. Mas a sociedade da comparação se esquece que simplesmente não nos importamos, e que há alguém dentro de nós que se orgulha de ser quem é, justamente por ser incomum.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Crescendo

Enquanto o lado de cá sabe que manter tudo como está é o caminho, que a alegria está na simplicidade e que a simplicidade está em ser exatamente quem se é, permitindo-se toda a integridade de uma criança, o lado de lá sabe que assim não se pode ser prá sempre e que ser mais do que isto também é ser por inteiro.

Entendeu? haha

terça-feira, setembro 26, 2006

quinta-feira, setembro 21, 2006

Smile

Um sorriso não vale somente mais do que mil palavras.
Um sorriso verdadeiro pode valer por uma vida inteira.


:)

segunda-feira, setembro 04, 2006

Ser é ser sozinho

E no fim, quem é bom e quem é mal?
Eu tendo a acreditar que todo mundo é bom na essência e, se fez mal para alguém, não foi por querer. A razão de saber perdoar está ai, está em acreditar que se esse alguém soubesse o mal que estava te causando, e tivesse os recursos para medir isso, não o faria. Não te magoaria.

Amar aos outros como a si mesmo só é possível quando se ama a si mesmo realmente, mas sem o egoísmo, e sim com a consciência de ser único e, ai sim, aprender a amar a diferença no outro.

Uma das fases mais relevantes da vida é quando a gente percebe que não deve ter pena de ninguém. Mas, às vezes, quando ninguém tem dó da gente, é ai que começamos a sentir dó de verdade dos outros. Parece que a gente se torna responsável pelos outros, a gente aprende a cuidar de si e acha que tem que cuidar dos outros também. Mas ai a gente lembra que, se encontrou forças dentro de nós mesmos, dentro dos outros deve haver força também, e torce para que os outros saibam encontrá-las.

A gente torce pelo dia em que vai se sentir mais leve, mas ao mesmo tempo se sente mais leve só de saber que, mesmo que quiséssemos, não poderíamos ajudar, assim como um dia não fomos ajudados e só por isso nos tornamos quem somos. Este é o resumo de tudo. A essência do existir. De existir integralmente, sem muletas, sem sem carregado no colo pelo resto da vida.

Ser é ser sozinho.

terça-feira, agosto 29, 2006

Não vale nem uma música dedicada nesse blog

"...você não vale a pena,
não vale uma fisgada dessa dor,
não cabe como rima de um poema, de tão pequeno
mas vai e vem e envenena,
e me condena ao rancor..."

quinta-feira, agosto 17, 2006

Stuck In A Moment

I'm not afraid of anything in this world
There's nothing you can throw at me
That I haven't already heard
I'm just trying to find a decent melody
A song that I can sing in my own company
I never thought you were a fool
But darling, look at you
You gotta stand up straight, carry your own weight
These tears are going nowhere, baby
You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and
now you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment and
you can't get out of it
I will not forsake, the colors that you bring
The nights you filled with fireworks
They left you with nothing
I am still enchanted by the light you brought to me
I listen through your ears,
and through your eyes I can see
And you are such a fool to worry like you do
I know it's tough, and you can never get enough
Of what you don't really need now...
my oh my
You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and you can't get out of it
Oh love look at you now
You've got yourself stuck in a moment and
you can't get out of it
I was unconscious, half asleep
The water is warm till you discover how deep...
I wasn't jumping... for me it was a fall
It's a long way down to nothing at all
You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and
you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment and
you can't get out of it
And if the night runs over
And if the day won't last
And if our way should falter
Along the stony pass
And if the night runs over
And if the day won't last
And if your way should falter
Along this stony pass
It's just a momentThis time will pass

quarta-feira, agosto 16, 2006

segunda-feira, agosto 14, 2006

Agora... ou nunca mais

Eu quero um mundo de perfumes, carinho e livros bons.
Eu quero minha casa, uma vez na vida, com solzinho na janela, edredon fofo.
Eu não quero repetição, eu quero o novo e quero agora.
Férias eternas.
Música boa.
Trabalhar com que se gosta.
Eu quero a eterna insatisfação seguida da busca pelo novo, pelo melhor. Evolução.
Só assim me sinto viva. Só assim existo.Você? Nunca mais...

quinta-feira, agosto 10, 2006

Me odeie

Não me chame de querida. Eu não quero ser sua linda, sua fofa. Por favor, não me mercantilize. Por favor, me ignore, me deixe de lado, me odeie. Eu quero que você tenha nojo de mim, eu quero que você me veja. Por favor, olhe para mim e diga se você não tem pena, se você não me mandaria pra bem longe. Por favor, me mande para outra dimensão. Me mande para outro espaço antes que este fique pequeno demais para nós dois. Por favor, me ignore, me exclua do seu grupo. Só te peço, não me ame, não me chame para a festa. Eu não quero que você me abrace, nunca, jamais me beije. Não me trate como qualquer, por favor, me odeie.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Diga sete

Dizem que sete é o número que se deve utilizar para listas memorizáveis. As sete maravilhas do mundo, os sete hábitos de pessoas altamente eficazes, Branca de Neve e os sete anões.
Eu queria saber, quais são as sete coisas que você precisa fazer antes de se tornar uma pessoa séria.
Quais são seus sete medos, e as sete vergonhas pelas quais você ainda vai passar.
Suas sete maiores cagadas, e as sete verdades que você nunca queria ter dito.
Seus sete maiores erros, me diga quais são seus sete desejos inconfessáveis.
Me diga, você tem sete esperanças, sete sonhos?
Sete dias na semana para tornar-se uma pessoa melhor.
Sete porres, sete empregos errados, sete línguas para aprender, sete chances de ser melhor, sete arrependimentos, sete luzes no fim do túnel.
Sete momentos em que você acha que nunca vai se livrar deste peso, sete caras nada a ver, sete baladas chatas, sete baladas incríveis, sete vontades de te mandar prá bem longe.

Sete dias de solidão. Sete dias de incompreensão.
Sete vontades de voltar atrás.
Sete pessoas para sempre na sua vida.
Sete vidas.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Ou isso, ou aquilo

Não sei se caso, compro uma bicicleta, ou fujo com o dono da bicicletaria... :P

terça-feira, agosto 01, 2006

quinta-feira, julho 27, 2006

Liberdade prá dentro da cabeça

A gente passa boa parte da vida procurando ocupações... preenchendo nosso tempo com coisas que justifiquem e dêem sentido à nossa existência.
Mas, é muitas vezes no intervalo entre uma ocupação e outra, entre uma coisa séria e útil e outra, que a gente se reconhece vivendo o que temos de melhor. Porque o melhor da vida é descobrir um prazer incrível em uma música velha perdida no computador, e dançar enlouquecidamente consigo mesma, e ver o próprio sorriso se abrir e ter a certeza de que nada nem ninguém pode entender completamente este momento, mas que isso não importa, já que nada nem ninguém pode entender exatamente o que existe dentro do nosso peito e de nossa cabeça, e que às vezes precisamos deste tempo para poder, sem querer, sem planejar, cair dentro de nós mesmos e mergulhar sozinhos no mais incrível vazio de explicações e limites, mas numa imensidão do maior significado que pode existir.
E saber que quem tem isso tem tudo, e que todas as atitudes, baladas, corpos, futuros, cabem neste universo particular invisível aos outros, mas totalmente e absolutamente completo e auto-sustentável.
Às vezes o que a gente precisa é simplesmente fechar a porta de casa, fechar as portas que permitem que outras pessoas invadam nossa vida, ligar o som bem alto para apagar o som do mundo exterior e abrir a mente, os ouvidos, o coração para o mundo que existe dentro de nós, e que é só nosso, e tão incrivelmente nosso, e entender que tudo faz sentido e nenhuma falsa felicidade mais é necessária quando se existe esta possibilidade tão mágica.

sábado, julho 22, 2006

We try harder

Eu, ás vezes, sinto vontade de ser uma pessoa melhor.
Não exatamente um outra pessoa melhor, mas sim o meu melhor.
Não é uma questão de competitividade, não é aquele “mais que o possível” pregado pelas empresas aos seus funcionários.
É um melhor que deve vir de dentro, uma excelência de caráter, que trancenda o espiritual e se reflita nos meus olhos, na minha pele, na minha pessoa inteira.
Eu às vezes sinto que poderia ser tão mais, e que em alguns momentos fui tão, mas tão menos do que poderia ter sido, que isto me trás um misto de insegurança, culpa e raiva.
Insegurança porque dá medo de não conseguir ser tão “legal” quanto se pode ser, tão gentil, tão interessante, tão bonita e admirável.
Culpa por ter vivido situações desagradáveis e proporcionado tristeza a outras pessoas.
Raiva por ter passado por momentos ruins, por ter sido o meu pior em alguns momentos.
O Nick Hornby tem um livro chamado “How to be nice”, que discute algo mais ou menos assim: como ser legal? o que é ser legal, enfim?
Talvez ser legal seja ser do jeito que a gente se sinta bem consigo mesmo. Mas, será que dá pra se sentir bem consigo mesmo se os outros se sentirem mal com a gente? Por que às vezes a gente tem que fazer os outros se sentirem mal para poder a gente mesmo se sentir bem?

Será que todo mundo vai ser feliz no final? O quão longe fica o final? O que será que dá pra gente fazer para que os outros também se sintam bem, e aí gente se sinta ainda melhor por ter feito os outros se sentirem bem? Por que algumas pessoas são mais queridas do que outras simplesmente porque são? Será que o caráter bonito é mesmo inato? Como faz pra nascer de novo com um caráter lindo?

sexta-feira, julho 21, 2006

Eu apenas queria que você soubesse

* Gonzaguinha

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria
ainda está comigo
E que a minha ternura
não ficou na estrada
não ficou no tempo
presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina
hoje é uma mulher
E que esta mulher
é uma menina
que colheu seu fruto
flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer
a todo mundo que me gosta
que hoje eu me gosto muito mais
porque me entendo
muito mais também

E que a atitude de recomeçar
É todo dia, toda hora
É se respeitar na sua força e fé
Se olhar bem fundo
até o dedão do pé

Eu apenas queria que você soubesse
Que essa criança
brinca nessa roda
E não teme os cortes
das novas feridas
pois tem a saúde
que aprendeu com a vida


:)

segunda-feira, julho 17, 2006

O que é meu é meu, o que é seu é nosso !?

Vai pensando que o que é meu é seu...
Não me importo em dividir... já precisei tanto que dividissem comigo.
Mas não gostaria que você pensasse que realmente é seu... pois isso lhe faria abrir mão do que de fato lhe pertence.
Eu não abro mão do que é meu, e sei o quanto essa luta vale a pena...

sexta-feira, julho 14, 2006

Ah, deixa prá lá!

Odeio ter que dizer isso, mas no mundo tem mais bizarrices e gente mal resolvida do que a gente imagina... e às vezes, sem querer, a gente pode incomodar muito mais do que pensa que é capaz...

Infelizmente tem quem corra atrás de suas alegrias e realizações... e quem fique assistindo e sofrendo pela felicidade dos outros.

É triste!

Mas, quer saber, tenho mais com que me preocupar!!!!!!

quarta-feira, julho 12, 2006

Fill in the blanks

Outro dia ouvi uma teoria banal, mas com a qual concordei plenamente. “A vida é um grande vazio, que a gente preenche com tudo o que faz”. E, se a gente parar para pensar, é isso mesmo. Oficialmente, não nascemos com metas a serem cumpridas. Tirando nossas necessidades vitais, o resto é escolha. É eu quero isso e não aquilo ou isso me agrada mais do que aquilo.
Tudo o que nos é dado quando nascemos é um grande espaço entre a vida e a morte, um tapinha na bunda e infinitas possibilidades de escolhas a serem feitas.
Quando alguém escolhe por nós, tudo fica mais fácil. E muito mais chato também. Ainda há os muitos que acreditam que a vida só faz sentido dentro de um determinado modelo pré-estabelecido (casamento, profissão, filhos), mas definitivamente eu não! Minha única missão, minha única obrigação, é aprender a jogar o jogo das escolhas e preencher minha vida com coisas saudáveis e divertidas. E ver o tempo passando e o jogo ficando mais desafiador, mais estratégico, mais definitivo.

quinta-feira, junho 15, 2006

Lembrando...

Recordar é viver, já dizia minha mãe!!!
É maravilhoso olhar para trás e ver o quanto de coisas boas já aconteceram... e saber que as lembranças são minhas, são parte de mim, e ninguém tasca!!!
É incrível imaginar o que está por vir e ter a certeza de que um dia ainda sentirei falta de tudo como é hoje... do jeitinho que as coisas são.
É muito bom estar viva e poder sentir alegria, tédio, euforia, prazer e certeza de que tudo pode ser muitíssimo bem vivido, exatamente como está sendo!!!

sexta-feira, junho 09, 2006

Fugindo das inércias da vida

Eu tenho pensado recorrentemente sobre as inércias da vida. Sobre aquelas coisas que a gente vê que não estão legais, mas continua a fazê-las simplesmente pelo hábito, pelo impulso, pela impotência em fazê-las diferentes, ou de não fazê-las e começar algo totalmente novo e estimulante.
Por “pura coincidência” (rs duplos, um porque esta expressão me remete a uma ironia absoluta, dois porque coincidências puras simplesmente não existem),eu dei de cara hoje com dois textos mais ou menos sobre este assunto na revista Você S A.
E eles diziam, mais ou menos, o que eu penso. Diziam que a tendência hoje, em que temos tantas atividades, tanta coisa para ser cumprida, é a de virarmos robôs. Virarmos seres que não pensam e vão no automático, e aí se perdem em dois males. O primeiro é a ausência de prazer, pois a vida só tem graça se for curtida e degustada. O segundo é o risco do erro, porque tudo o que é mecânico pode falhar.
Estes textos falavam, ainda, sobre a importância do tesão na nossa vida, e sobre o quanto só o que é feito com paixão, prazer e vontade pode ser bem feito.
E é dessa inércia, deste anti-tesão, que eu tenho começado a fugir. Desta mania de transformar tudo em protocolo e meta, e perder o prazer no processo, a alegria de se acordar todos os dias com mil coisas a fazer.
Isso vale para tudo.
Vale para a vida profissional.
Vale para a vida educacional.
Vale para a amorosa.
Vale para a vida.


Livro: “Sem tesão não tem solução”, Roberto Freire

Inércia: "um corpo continua no seu estado de repouso (velocidade zero) ou de movimento retilíneo uniforme (velocidade constante), a menos que seja obrigado a mudá-lo pela ação de uma força externa".

quarta-feira, maio 31, 2006

Auto-estima em prestações fixas

Vivem dizendo que o meu problema, o seu problema, o problema da humanidade, é baixa auto-estima. A gente tem que se amar, se colocar em primeiro lugar, se considerar linda e maravilhosa para merecer tudo de bom que nos é destinado... mas que ainda não recebemos pois não atingimos este incrível grau de auto-confiança.

Eu discordo inteiramente. Nosso problema não é baixa auto-estima. É outro. Um pequeno dispositivo regulador de auto-estima, e que não é forte o suficiente para mantê-la lá em cima por muito tempo.

Quando saio de casa para trabalhar, me sinto altamente merecedora de tudo de melhor que possa haver no mundo. Escolho a melhor roupa, o melhor sapato, seco o cabelo com secador para ele ficar bem lisinho e com um caimento ótimo e ainda dou aquela olhada no espelho para confirmar que está tudo da melhor forma possível . Saio feliz, cheia de motivos para sorrir e cantar e com energia para fazer um excelente trabalho, estudar horrores, ler tudo o que for aproveitável nos livros, jornais e revistas e merecer aquele elogio de minha chefe.

Mas, basta colocar os pés na rua, para perceber que as coisas podem ser bem mais complicadas quando não se está sozinha no mundo. E que toda aquela beleza, inteligência e força de vontade não são suficientes quando se está em mundo que há muito mais super-heróis do que seres humanos.

E aí, não há dispositivo regulador de auto-estima capaz de mantê-la em um nível adequado. E a gente chega ao ponto em que, acreditam todos, precisamos ouvir aqueles conselhos fantásticos do comecinho do texto.

terça-feira, maio 30, 2006

Faxina geral

Há momentos na vida em que dá vontade de mudar tudo. Fosse eu uma casa, eu faria um faxina geral. Começaria tirando o lixo, aquilo que realmente não tem nenhuma utilidade nem valor afetivo, e que, além de ocupar espaço, ainda polui e torna o ambiente desagradável.

Depois, faria a limpeza propriamente dita. Tiraria a poeira, passaria pano no chão, lavaria a cozinha, o banheiro.

Depois eu ia arrumar tudo o que restou, organizar e, por fim, eu veria o que estava faltando.

Então eu partiria para as compras. Acrescentaria prateleiras e armários novos, colocaria um belo vaso de flores muito coloridas na sala. Na verdade, acho que colocaria muitas flores em todos os cômodos.
Depois de tudo isso, eu abriria a porta para que o sol entrasse e, sentada na varanda, deixaria que ele penetrasse em mim e me aquecesse muito. E de olhos fechados eu pediria, ao sentir o seu calor, que eu não permitisse, novamente, que o lixo se acumulasse em minha casa.

quinta-feira, maio 04, 2006

Celebrando o vazio

Estamos na época da ausência de regras, ausência de limites, vivemos na anarquia pessoal. Aprendemos que podemos comprar nossa felicidade e ela vem em forma de pequenas cápsulas coloridas, em forma de roupas e de tudo o mais que se possa adquirir com dinheiro, e somente com ele.

Vivemos preenchendo nosso vazio existencial mas agora podemos fazê-lo das mais variadas maneiras. A religião cedeu espaço ao nada, a família cedeu espaço ao nada, as responsabilidades não são mais cabíveis e os limites não nos servem mais.


As perguntas continuam sem respostas, mas agora são mais perguntas e menos possibilidade de pensar. Quando se celebra o vazio e se ri do sério, parece que para as dúvidas só resta a possibilidade da negação.

quinta-feira, abril 13, 2006

A tristeza, aquela, de verdade...

No texto anterior eu falei sobre a felicidade.

Não a felicidade fingida, inventada, mas sim a felicidade de verdade. Aquela que você sente e, nem que quisesse, conseguiria explicar. Aquela conquistada, merecida, aproveitada.

Para que se sinta esta felicidade, é necessário ser humano, ser intenso, viver as coisas em sua completude. E quem vive por inteiro, por mais feliz que mereça ser, sofre.

O sofrimento, a tristeza, são tão parte da vida quanto a alegria. Não é possível escolher um deles. Na tentativa de optar por um ou outro, há aqueles que justamente inventam uma felicidade, ou se entrevam.

Quem vive de verdade, quem chora de verdade, vive a felicidade e a tristeza em sua plenitude.

E a tristeza de verdade, assim como sua opositora, é intensa.É doída e indesejada. Pode vir em decorrência de um fato novo ou de um fato antigo e, não importa quão antigo ele seja, a dor não é menor.

Ela é composta de pensamentos recorrentes, de reflexões profundas sobre a vida, as pessoas e, sobretudo, sobre nós mesmos. Não é possível fugir da tristeza, mas é possível fugir dos pensamentos por ela impulsionados. E, assim, perder a grande chance de retirar deste sentimento tão dolorido aquilo que ele nos traz de melhor.

Quem não se recusa a refletir e não tem medo de sofrer e chorar um pouco mais é capaz de aprender muito sobre si próprio. E descobrir que, se erramos, ao menos podemos não errar mais. E que se tornar uma pessoa melhor é um direito do ser humano, e a capacidade de mudar é privilégio dos inteligentes. Porque quem vive de verdade, e sofre de verdade, cresce mais do que os outros. E como um presente pelo mérito da reflexão tem a grande chance de ser uma pessoa ainda mais feliz.

quarta-feira, abril 05, 2006

A felicidade de verdade...

Eu não sei qual a definição que o dicionário dá para felicidade. Mas também, não gosto de textos pretensiosos que começam com a definição do tema escolhido dada pelo dicionário. Prefiro falar da felicidade sentida, aquela inexplicável em palavras, mas que não deixa nenhuma dúvida sobre sua existência.

A felicidade é um misto de orgulho e prazer. É a alegria por estar vivo, mas não simplesmente por existir. A felicidade não é passiva, não se satisfaz apenas com a graça da vida. A felicidade é ativa, é consciente do merecimento, é uma admiração por quem se é.

Eu não li os inúmeros livros que falam sobre a felicidade. Eu não sei o que eles dizem. Eu até quero ler. Mas não me importo. Eu sou feliz!

Dizem que não se pode esperar pela felicidade, nem correr atrás dela. É preciso procurá-la no instante presente e aproveitar. Eu acho que não é preciso procurar. Mas é preciso estar de coração aberto para o momento em que ela chega, e se apresenta como a melhor sensação do mundo, como completude e como realização.

A pessoa feliz de verdade não precisa provar nada para ninguém. Não precisa se vangloriar de sua alegria. Não precisa levantar a bandeira da auto-estima.

Qualquer tentativa de se fazer feliz será em vão.
Só os merecedores são felizes.