"- Escrever não é falar. - Não? Qual a diferença? - É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardam. Se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer". (No Teu Deserto, Miguel Sousa Tavares)
quarta-feira, janeiro 31, 2007
terça-feira, janeiro 30, 2007
A busca
O que você está procurando?
"Eles olharam a roda gigante,
e de longe ela não parecia estar girando.
Mas era provável que estivesse sim."
Nick Hornby
"Eles olharam a roda gigante,
e de longe ela não parecia estar girando.
Mas era provável que estivesse sim."
Nick Hornby
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Dos nossos males
A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...
Mário Quintana
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...
Mário Quintana
E a gente nem cobra ingresso...
O que a gente começa a reparar é que tem gente que assiste, e tem aqueles que atuam.
É claro que no fundo todos vieram com vocação para serem atores da própria vida, personagens principais da própria história, viemos para dominar nosso próprio palco e fazer da nossa aventura imperdível para nós mesmos.
Mas a aventura, sinto dizer, é imperdível somente para nós mesmos, e não há graça que se compare a de viver intensamente.
Olhar para os outros é aprender, assimilar possibilidades, guiar-se por exemplos. Digerir, repensar, interpretar, e depois fazer tudo diferente, mesmo que seja exatamente igual.
Incomodam os olhares, as expressões faciais que fingem não serem reações. Incomodam os sorrisos de canto de quem não quer opinar,mais do que as opiniões abertas e claras.
Um dia, a gente cansa de se justificar, e decide apenas viver.
E entende porque há alguns que riem tanto.
É tão mais fácil...
É claro que no fundo todos vieram com vocação para serem atores da própria vida, personagens principais da própria história, viemos para dominar nosso próprio palco e fazer da nossa aventura imperdível para nós mesmos.
Mas a aventura, sinto dizer, é imperdível somente para nós mesmos, e não há graça que se compare a de viver intensamente.
Olhar para os outros é aprender, assimilar possibilidades, guiar-se por exemplos. Digerir, repensar, interpretar, e depois fazer tudo diferente, mesmo que seja exatamente igual.
Incomodam os olhares, as expressões faciais que fingem não serem reações. Incomodam os sorrisos de canto de quem não quer opinar,mais do que as opiniões abertas e claras.
Um dia, a gente cansa de se justificar, e decide apenas viver.
E entende porque há alguns que riem tanto.
É tão mais fácil...
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Assim é, se lhe parece...

"Ciranda da Bailarina"
Procurando bem todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem?
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem
Edu Lobo / Chico Buarque
quarta-feira, janeiro 24, 2007
terça-feira, janeiro 23, 2007
segunda-feira, janeiro 22, 2007
segunda-feira, janeiro 15, 2007
terça-feira, dezembro 19, 2006
Natal...

Este ano a sensação de fim de ano chegou mais cedo para mim. Em meados de outubro, o balanço de fim de ano já tinha sido concluído, com a devida sensação de rebarbas a aparar, e de tudo que precisava ser resolvido para que um novo ciclo pudesse se iniciar em terreno limpo e fértil.
Em novembro, tudo parecia caminhar bem, até que em dezembro algo saiu do trilho e tudo o que poderia dar errado deu, tudo que parecia caminhar para uma realização virou frustração, tudo o que já estava definido se indefiniu inesperadamente e as reações e atitudes foram as menos aguardadas, com os respectivos questionamentos respondidos das maneiras mais inacreditáveis, e a tristeza chegou para ocupar seu lugar quando só esperava estar triste novamente lá para junho do ano que viria...
Talvez por tudo isso, a leve melancolia natalina, que nunca precisou ser triste, tomou uma proporção de questionamento muito maior. A árvore do Ibirapuera, as canções natalinas em inglês, o enfeite gigante do Shopping Iguatemi, as cores do Banco Real, iluminaram a sensação de vazio diante de tanta miséria, de tanta fome, de tanta falta de oportunidade.
E por vezes tive vontade de ser uma criança de rua, só para poder destruir tudo durante a noite, e tirar de perto de mim a visão da falsidade ideológica que tomou conta de uma festa que deveria ser de amizade e colaboração.
Quem foi que permitiu que a data de nascimento do maior messias que já existiu virasse pretexto para movimentar o comércio, por que permitir que vermelho da Coca-Cola se espalhasse pelas ruas de um país como o Brasil, onde a seca mata milhares de pessoas de sede, onde está a igreja que não diz ao povo que esta é a maior mentira em que se pode acreditar... e não questiona o ridículo do ser-humano?
Eu não tenho vontade de comprar presentes de Natal... eu queria dar a todos que amo um trecho da Bíblia, que falasse sobre igualdade e sobre fraternidade, e que falasse sobre simplicidade e humildade.
E que mostrasse, sobretudo, a imagem de um presépio, provando que, quando de onde deveria vir acolhimento, surge somente incompreensão, arrogância, pretensão e injustiça, é de onde menos se espera que surge carinho e aquele abraço, aquele sorriso e aquela palavra que a gente simplesmente morreria se não pudesse sentir...
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Memórias de vida High-Tech
O que move as pessoas a colecionar fatos, vídeos, momentos, experiências, objetos sem importância, vidas e histórias de outras pessoas?
Validação, sensibilidade, vaidade, auto-estima, vontade de superar a mortalidade?
Na era em que o intangível supera o tangível, este é o lugar certo na história para colecionar, guardar e registrar experiências de vida.
As possibilidades incluem blogs - registro online de pensamentos e situações, que podem incluir álbum fotográfico, musical ou melhor ainda, vídeos - pura vida em movimento. ... Diferentemente do passado, estes momentos de vida não são mais guardados em uma linda caixa no fundo do armário, mas compartilhados com a própria solidão, com a família, amigos reais e virtuais internet afora...
Beth Furtado
Validação, sensibilidade, vaidade, auto-estima, vontade de superar a mortalidade?
Na era em que o intangível supera o tangível, este é o lugar certo na história para colecionar, guardar e registrar experiências de vida.
As possibilidades incluem blogs - registro online de pensamentos e situações, que podem incluir álbum fotográfico, musical ou melhor ainda, vídeos - pura vida em movimento. ... Diferentemente do passado, estes momentos de vida não são mais guardados em uma linda caixa no fundo do armário, mas compartilhados com a própria solidão, com a família, amigos reais e virtuais internet afora...
Beth Furtado
sábado, dezembro 09, 2006
Do porquê de observar
Agora que já me achei em ti
Já não preciso mais olhá-la
Obrigada por me entregar o espelho
Com o qual enxerguei mais fundo minha alma.
Já não preciso mais olhá-la
Obrigada por me entregar o espelho
Com o qual enxerguei mais fundo minha alma.
Os poemas
Os poemas são pássaros que chegamnão se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
Mario Quintana
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Jardim interior
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Os degraus
terça-feira, dezembro 05, 2006
Agradecimento
Quando os anjinhos dizem amém, a gente só tem que agradecer por tudo o que já conquistou.
quinta-feira, novembro 30, 2006
Mantenha o respeito
Para a incompreensão, há somente o silêncio.
Não o silêncio que isola, o silêncio da solidão.
O silêncio da segurança e da tranqüilidade.
O silêncio de quem aprendeu a ouvir o que os outros pensam, mas não a se guiar por isso.
O silêncio de quem desistiu de esperar por reconhecimento, mas não de sentir orgulho de quem se é.
Não o silêncio que isola, o silêncio da solidão.
O silêncio da segurança e da tranqüilidade.
O silêncio de quem aprendeu a ouvir o que os outros pensam, mas não a se guiar por isso.
O silêncio de quem desistiu de esperar por reconhecimento, mas não de sentir orgulho de quem se é.
segunda-feira, novembro 27, 2006
Acontecimentos
Eu espero acontecimentos
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento
Todo amor
Vale o quanto brilha
E o meu brilhava
E brilha de jóia e de fantasia
O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim
Era fácil
Nem dá prá esquecer
E eu nem sabia
Como era feliz de ter você
Como pode
Queimar nosso filme
Um longe do outro
Morrendo de tédio e de ciúmes
O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim
(Marina Lima/ Antonio Cícero)
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento
Todo amor
Vale o quanto brilha
E o meu brilhava
E brilha de jóia e de fantasia
O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim
Era fácil
Nem dá prá esquecer
E eu nem sabia
Como era feliz de ter você
Como pode
Queimar nosso filme
Um longe do outro
Morrendo de tédio e de ciúmes
O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim
(Marina Lima/ Antonio Cícero)
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