terça-feira, novembro 21, 2006

Somos todos chatos

De perto ninguém é normal... Cada louco com sua mania... Ventania insiste em dizer que raros são os loucos, mas a verdade é que raro é encontrar alguém que não tenha sua idiossincrasia chata, se não raro impossível.

Terapia devia ser matéria na escola, e para andar na rua devia ser necessária carteirinha de bem resolvido. Seria da natureza do ser-humano a tentativa constante de auto-afirmação? Ou seria mais um fenômeno da sociedade sufocante em que tudo é competição?

A convivência é difícil, mas olhar para a beleza é um exercício que não pode ser substituído pela visão das chatices que insistem em saltar aos olhos.

Olho para mim e vejo minhas limitações, olho para o outro e vejo que ninguém é perfeito, embora tentemos o tempo todo nos provar que sim.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Nóia

Crie seus fantasmas, e eles lhe perseguirão de verdade.
Imagine o belo, e aproveite um instante de tranqüilidade.

terça-feira, novembro 14, 2006

Saber e entender

Na escola, ouvimos repetidas vezes que precisamos “entender” a matéria, ao invés de decorar. E, quando alunos esforçados, passamos dias sobre páginas de história e geografia e exercícios de matemática. Inocentes, acreditamos entendê-las.

Inexperientes, não percebemos que estamos exercitando o acumulo de conhecimento como exercitamos o acumulo de bens materiais e dinheiro. E crescemos acreditando que aprendemos algo.

Um dia parece que tudo começa a fazer um pouco mais de sentido. E, pela primeira vez, notamos que o conhecimento adquirido não é o mesmo que aquele que pode ser compreendido.

É como se não tivéssemos visto nenhum filme até hoje. Como recém alfabetizados, lemos as revistas pela primeira vez.

Ler o mesmo livro duas vezes nunca é uma repetição.

O livro ainda é o mesmo. Mas nós já não somos mais.


Pensar o mesmo texto duas vezes é impossível. Aquela que era pela manhã já não o é mais às 12h25.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Metrópole

A gente tende a pensar, a ouvir e a dizer, que o que falta no mundo de hoje é confiança. Vários fatores, como a violência e a ambição, fazem a gente ter medo do outro, desconfiar. Parece que as pessoas andam com o pé atrás, com medo de se mostrar, de ser sinceras sobre quem são e sobre o que sentem, sobre o que pensam e o que pretendem.

Esta insegurança faz a gente ficar mais fechado, mais falso e mais superficial também. Porque quando não dá para falar a verdade, e quando a gente não gosta de mentir, acaba falando de futilidades. Acaba colocando coisas menos importantes na pauta da conversa para evitar se abrir e contar coisas que não sabemos de que forma serão utilizadas.

A banalização de tudo banalizou a confiança também, e os conceitos de amizade, de coleguismo e parceria vão se diluindo. A sua vida é banal para o seu amigo, e a vitória do outro é banal para você.


Valorizar quem está ao seu lado virou um ato de submissão quando o que se precisa é mostrar como se é melhor, mais importante e mais sofredor. Sofrer virou motivo de orgulho e eu já não entendo mais nada.

quinta-feira, novembro 09, 2006

05/10/04

O funk carioca desceu o morro e agora, em uma nova fase, virou fashion. Com ele chegou ao asfalto a alegria daqueles que sempre rebolaram em frente à televisão, frustrados por saberem que não seriam bem-vindos aos bailes funk. Desceu também a revolta de muitos que vêem as letras como alusão e incentivo à violência, ao sexo inconseqüente e à exploração da mulher. Sabemos que boa parte das letras trata de sexo, mas eu não saberia dizer se trata-se da maioria ou não. Independentemente disso, me incomoda menos o fato de haver letras consideradas “pornográficas” do que saber que existe um comportamento generalizado de valorização do corpo em detrimento da cultura, a famosa embalagem no lugar do conteúdo. E este comportamento não prevalece apenas entre os pobres, os miseráveis, mas muito mais entre as classes média e rica, que lotam clínicas de estética e de cirurgia plástica, em busca da beleza comprada, fácil e cara. Não me incomoda, no entanto, pensar que, em forma de música e dança, as mais acessíveis expressões populares, os moradores do morro carioca conseguiram mostrar à classe média e agora, ao poucos, ao mundo, a realidade de seus jovens, de seus homens e de suas meninas. Me incomoda profundamente pensar que meninas estão sendo exploradas sexualmente e ensinadas (por seus pais, mães, padrastos, amigos, pela TV, pelas novelas, pela “Malhação”, pelo cinema norte-americano etc) que seu papel é ser uma serviçal do sexo proporcionando satisfação aos homens. Mas me agrada a idéia de que as mulheres estão virando o jogo, em figuras surpreendentes como a de Tati Quebra-Barraco. Ao nossos olhos desacostumados à sinceridade o fato gera desconforto e um convite à revolta. Outro ponto. Há muitas músicas que não se referem ao sexo. Me parece muito interessante ouvir letras como “É som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado”; ou “Eu só quero é ser feliz, andar tranqüilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar, e ter a consciência que o pobre tem seu lugar.” Aí sim eu vejo o verdadeiro papel do funk, dizendo que existe uma voz, um discurso, convertendo-se em música e festa. E que esta voz pode começar a ecoar no morro, e descer para o asfalto, e chegar à Vila Olímpia e em outros cantos do mundo. E essa voz pode chegar em forma de bem de consumo, assim como todos os sons e músicas que estamos ouvindo. Porque mercantilizamos tudo em nossa sociedade capitalista, mas quando o pobre começa a se dar bem neste meio, nos sentimos incomodados, sentimos nosso mercado e nossos espaços nas prateleiras ameaçados, e queremos que eles fiquem quietos nos morros sem ocupar “nosso” espaço nas lojas. Há ainda as letras vazias, aquelas que servem apenas para brincar, fazer festa e extravasar, como uma que diz algo como “acende o celular” etc e tal. Podemos dizer o que for, mas só quem nunca pulou marchinhas de carnaval sem o menor nexo poderá atirar a primeira pedra. Com relação a qualidade da música, não posso nem me arriscar a opinar porque sou uma ignorante musical assumida. Prefiro ficar quieta, pois entendo apenas de dançar, dar risada e me divertir.

As cores da vida

21/06/04

Faz um tempo que estou querendo falar sobre preconceito de uma forma mais longa, porque este é um assunto sobre o qual eu penso sempre e repetidamente e que me incomoda muito. Me incomoda não apenas porque eu sinta uma carga considerável de preconceito contra mim mas também porque sinto que eu já fui muito preconceituosa e que isso limitou muito minha vida até pouco tempo. Eventualmente eu até falo alguma coisa sobre o assunto mas não vou muito longe porque não quero tomar o tempo de quem está me ouvindo em momentos que geralmente são de descontração, fora que eu tô ligada que muitas vezes meus comentários parecem de caráter pessoal e sobre alguma atitude específica do meu interlocutor, e o medo de parecer agressiva acaba me fazendo ficar quieta.
Bom, vamos ao assunto: eu odeio preconceito. De todos os defeitos que uma pessoa pode ter tenho quase certeza que o preconceito é o pior. Porque o preconceituoso parte do princípio de que ele é superior, de que suas escolhas e suas preferências são superiores do que as dos outros, e de que os outros ainda não atingiram sua capacidade de avaliação das coisas, das músicas, das roupas, e não fazem escolhas tão apropriadas.
Eu não estou falando de preconceito de raça, de cor, de credo. Estes são os piores, certamente, mas sobre estes muito já se falou e já se tornou inclusive ultrapassado falar, pois se tornou ultrapassado ter este tipo de preconceito.
Mas muitos que se julgam abertos a conviver com pessoas de cor diferente da sua ou com uma atitude sexual diferente não percebem os pequenos preconceitos que repetidamente deixam sua vida menos completa.
É isso mesmo. O preconceito faz com que sejamos menos completos. Eu explico: se eu gosto da cor azul porque acho que o azul é a cor mais bonita, a mais chique, a mais sofisticada, até aí nenhum problema. Todos, ou muitos, tem preferência por uma cor. Mas se me recuso a olhar para o preto, porque o considero sem graça, depressivo, feito, dou uma cor a menos a minha vida. Isso vale prá tudo: artes em geral (música, literatura, cinema), moda, baladas, profissão, sexualidade. Vamos vestir todas as cores da vida!!! Ou ao menos conhecê-las, conversar com alguém que as veste. Vamos conhecer uma balada completamente diferente, falar com alguém que trabalha em uma área totalmente diferente da nossa, rir de nossas próprias preferências. Cuidado: o preconceito está enraizado em cada um de nós, e ser preconceituoso não é uma agressão contra o outro. É uma agressão contra nós mesmos. Preconceito é uma atitude limitadora que nos impede de conhecer todas as cores da vida.

quarta-feira, novembro 08, 2006

A Vida

"A vida são deveres que nós trouxemos para fazer em casa...
Quando se vê, já são seis horas !
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos !
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas...
Dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo.
A única falta que terá, será desse tempo que infelizmente... não voltará mais."

Mario Quintana

terça-feira, outubro 31, 2006

Balança

Já falei aqui que concordo com a idéia de que a vida é um grande vazio preenchível. Como completá-lo é a nossa grande questão. Avaliar o que vale a pena entrar em nossos dias, e o que merece ser simplesmente descartado, ignorado, é como um jogo, quase uma brincadeira.

Há algumas escolhas na vida que são de fato decisivas, definitivas, mas a verdade é que a vida é feita de muitas outras escolhas que são pequeninas, e parecem que não vão nos influenciar em nada.

São pequenas decisões que tomamos o dia inteiro, e que aparentemente são inofensivas, e que de fato realmente o são. Mas que, juntas, fazem a nossa vida ser o que é e não algo diferente, fazem com que no final de tantas pequenas opções tenhamos chegado neste lugar e não naquele.

E quando percebemos isso, percebemos também porque se deve dar importância às pequenas coisas, às pequenas atividades diárias, ao invés de simplesmente pensar que, por serem pequenas e simples, elas não merecem nossa atenção.

Compensação

É um exercício de persistência e paciência dedicar-se a estas pequenas coisas. Pois o impulso é de evitá-las, pular as etapas chatas e compensar a existência delas com atividades mais prazerosas.

O Eduardo Gianetti, em suas palestras baseadas no livro “Felicidade’”, diz que a realização profissional é fundamental e que, na ausência dela, acabamos partindo para compensações. A gente pode tentar compensar a insatisfação no trabalho fazendo compras, por exemplo.

Na verdade a gente tende a fazer isso em vários aspectos da vida, creio eu, e não somente no profissional. Problemas no relacionamento podem nos levar a compensar a frustração com comida... a ausência do pai pode nos levar a fumar... e assim por diante. A psicologia deve ter uma explicação bem consolidada para isso e eu não a conheço, mas espero poder um dia entender isso melhor.

As questões são: até que ponto o prazer da compensação nos fará felizes? O quanto de coisinhas chatas somos capazes de suportar? Dá prá acreditar que é possível sentir-se realizado sem buscar por estes prazeres mais acessíveis? Por que algumas pessoas parecem ser felizes com o que tem, sem necessidade de procurar por estas compensações?

segunda-feira, outubro 30, 2006

Espelho

"Um dia, enquanto esperava seu cabeleireiro se desocupar, folheava as revista à procura de alguma idéia para mais uma nova mudança.
Encontrou.
Ficou durante um tempo contemplando.
A mulher da fotografia, os cabelos brilhantes na paisagem sem sol da Escócia, olhava distante a relva verde: parecia que o mundo todo estava correto ali.
Não era o cabelo.
O que queria mesmo era estar naquele lugar, com aquele olhar, com aquela roupa.
Queria ser aquela mulher.
Mas percebeu que jamais seria.
Simplesmente porque ela era ela. E porque aquela mulher não existia.
Não era melancolia nem tristeza. Era o desejo de ser ela mesma.
Percebeu que só se encontrava no olhar dos outros.
E que estava, banalmente, condenada a ser ela mesma, a se inventar, espreitando as imagens de outras, que eram irremediavelmente outras".

Vânia Reis, psicoterapeuta. TPM, outubro de 2006.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Eu não sou o MÁ-XI-MO??

Deslumbramento. Falta de humildade.
O que lhe falta é olhar ao redor.

Mas não olhe somente prá tão perto.
Procure olhar além, veja onde você vive, vizualisse seu mundo, seu país.
Perceba quem é a sua sociedade.
Se você não os enxerga, não poderá me enxergar também.

Por que você não pára por um instante, e olha para quem está ao seu lado?
Por que você não procura enxergar o óbvio, e vê que há espaço para todos?
Pare, pense.
A felicidade do outro não inviabiliza a sua.
O que eu tenho a aprender com você?
Pare. Olhe. Aprenda algo comigo. E eu sei tão pouco...

quarta-feira, outubro 18, 2006

Ponha seu preço

Ponha seu preço.
Atribua seu valor.
Quando você se valoriza, tem sempre alguém ali, para te desvalorizar.
Quando você não se valoriza... é porque você não se valoriza.
Tem sempre alguém que precisa brilhar.
Tem sempre que ter um peão fosco.
Tem gente que não tem a grandeza de perceber o tamanho do céu.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Vazio e cheio

E a gente se dedica tanto a tantas coisas, quando no fundo são tão poucas as que realmente importam.

Há um intervalo tão grande entre uma e outra...

Desconfio que este intervalo seja a vida.

Pena que, na ânsia de preenchê-la, acabamos esquecendo de viver.

quarta-feira, outubro 11, 2006

24/novembro/2004

"... Eu desejo alguém que saiba aproveitar cada segundo de felicidade, e que pense no presente muito mais que no futuro. Eu quero alguém que me tire o fôlego, e me faça rir, e ria de mim sem me intimidar, e que me faça gargalhar quando me leva a sério, e eu desejo que haja muita diversão em nossa vida... Quem eu quero precisa de mim, e sua vida nunca mais será a mesma depois de me encontrar, e me amará tanto quanto a si mesmo, e será capaz de mudar tudo por mim, mas não mudará nada, sabendo que eu não desejo a mudança, e sim a complexidade de ser dois, e ser um só..."

terça-feira, outubro 10, 2006

Os dois lados

A vida é mesmo feita de escolhas.
Não, não se pode ter tudo.
Sim, eu queria ser duas.

sábado, outubro 07, 2006

Viva a diferença!

A sociedade da comparação vive de nos fazer sentir inferiores simplesmente porque não somos iguais. Mas a sociedade da comparação se esquece que simplesmente não nos importamos, e que há alguém dentro de nós que se orgulha de ser quem é, justamente por ser incomum.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Crescendo

Enquanto o lado de cá sabe que manter tudo como está é o caminho, que a alegria está na simplicidade e que a simplicidade está em ser exatamente quem se é, permitindo-se toda a integridade de uma criança, o lado de lá sabe que assim não se pode ser prá sempre e que ser mais do que isto também é ser por inteiro.

Entendeu? haha

terça-feira, setembro 26, 2006

quinta-feira, setembro 21, 2006

Smile

Um sorriso não vale somente mais do que mil palavras.
Um sorriso verdadeiro pode valer por uma vida inteira.


:)

segunda-feira, setembro 04, 2006

Ser é ser sozinho

E no fim, quem é bom e quem é mal?
Eu tendo a acreditar que todo mundo é bom na essência e, se fez mal para alguém, não foi por querer. A razão de saber perdoar está ai, está em acreditar que se esse alguém soubesse o mal que estava te causando, e tivesse os recursos para medir isso, não o faria. Não te magoaria.

Amar aos outros como a si mesmo só é possível quando se ama a si mesmo realmente, mas sem o egoísmo, e sim com a consciência de ser único e, ai sim, aprender a amar a diferença no outro.

Uma das fases mais relevantes da vida é quando a gente percebe que não deve ter pena de ninguém. Mas, às vezes, quando ninguém tem dó da gente, é ai que começamos a sentir dó de verdade dos outros. Parece que a gente se torna responsável pelos outros, a gente aprende a cuidar de si e acha que tem que cuidar dos outros também. Mas ai a gente lembra que, se encontrou forças dentro de nós mesmos, dentro dos outros deve haver força também, e torce para que os outros saibam encontrá-las.

A gente torce pelo dia em que vai se sentir mais leve, mas ao mesmo tempo se sente mais leve só de saber que, mesmo que quiséssemos, não poderíamos ajudar, assim como um dia não fomos ajudados e só por isso nos tornamos quem somos. Este é o resumo de tudo. A essência do existir. De existir integralmente, sem muletas, sem sem carregado no colo pelo resto da vida.

Ser é ser sozinho.